Safra recorde nos EUA deve derrubar preços no Brasil

16/08/2016
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Na última sexta-feira, 12, o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) revisou seus relatórios para cima, projetando safras recordes de milho e soja. No Brasil, segundo o analista de mercado Carlos Cogo, a notícia deve manter uma pressão de baixa nos preços futuros pelo menos a curto prazo.

 

Até agora, os números levantados pelo USDA sinalizam produção de 384,9 milhões de toneladas de milho e 110,5 milhões de toneladas de soja no país. Para Cogo, se a safra não for recorde, será pelo menos suficientemente grande para provocar queda nas cotações no mercado brasileiro. “Falta só o restante de agosto para se ter uma definição da safra lá e até agora não há nenhum indicativo de que vá haver grandes problemas”, diz.

 

No médio prazo, o Brasil tem outra questão em aberto, que é a flutuação do câmbio. “O dólar segue recuando e o governo já começou a demonstrar certa preocupação”, afirma Cogo. De acordo com o analista, as negociações de milho e soja, que já estavam lentas, ganharam ritmo ainda mais moroso após a divulgação do relatório do USDA.

 

“Hoje, no caso, a soja está em alta. Mas é mais um aproveitamento da baixa de preço que houve por parte dos compradores do que uma coisa consistente”, diz. Para a próxima safra no Brasil, ele espera que o clima favorável, com La Niña de fraco a moderado, permita produzir mais de 100 milhões de toneladas do grão. “O milho, por sua vez, deve bater a casa das 88, 90 milhões de toneladas - que é o que teríamos colhido esse ano se não tivesse havido quebra na segunda safra”.

 

No momento, a perspectiva para o milho - que passou por uma elevação de preço após a safrinha - é de novos recuos. “O preço está em baixa e até o final do ano pode ter uma recuperação, mas existem várias limitações para que isso aconteça”, diz Cogo. Entre elas, estão a grande produção nos Estados Unidos, o dólar em queda no Brasil, menor volume de exportações, aumento de produto no mercado interno e estoques não tão baixos quanto esperado.

 

“Tudo isso pode criar um certo marasmo no mercado e limitar altas mais expressivas de preço”, justifica. Para o produtor que não está precisando fazer negócio agora, a recomendação é segurar a mercadoria. “Ver se acontece algum desdobramento no mercado ou intervenção do Banco Central quanto ao câmbio”, explica o analista.

 

De qualquer forma, Cogo entende que o momento é de transição e que os preços não devem cair tanto porque o aumento da demanda ainda é forte. “Com essa sustentação, o mercado não permite que a cotação baixe além de um piso estabelecido para os grãos”, completa.

 

Data da Publicação: 16/08/2016

Fonte: PortalDBO

http://www.portaldbo.com.br/Agro-DBO/Noticias/Safra-recorde-nos-EUA-deve-derrubar-precos-no-Brasil/17649

 

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