Rabobank divulga Top 20 maiores companhias de lácteos do mundo

11/07/2014
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A última pesquisa anual do Rabobank sobre as maiores companhias de lácteos do mundo destaca os gigantes de um dos setores mais valiosos do mundo. Nos últimos 18 meses, a maioria dessas companhias passou por condições desafiadoras, com economias fracas e restrições na oferta prejudicando o crescimento nas vendas em importantes mercados.

 

Enfrentando um mercado de águas lentas, a maioria das companhias líderes mundiais de lácteos tem remado forte, com fusões e aquisições sendo um meio cada vez mais importante de extrair crescimento, reduzir custos e sustentar lucros. Com acordos muito grandes e difíceis de serem fechados, as gigantes do setor de lácteos precisarão adquirir ou se unir a mais companhias do que no passado para sustentar algumas taxas de crescimento no futuro. Aqueles adeptos à aquisição e entrada em novos negócios continuarão bem posicionados para sobreviver e prosperar nesse ambiente de mercado.

 

Em 2013, houve 124 transações de lácteos, mais que as 111 em 2012 e o maior número desde 2007. Nesse ano até agora, já foram feitas 41 transações no mercado de lácteos e 14 das 20 maiores companhias de lácteos fizeram fusão, aquisição ou estabeleceram uma joint venture com uma ou mais companhias nos últimos 12 meses.

 

Tabela 1. As 20 maiores companhias mundiais de lácteos

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* Estimativa Nota: Os dados de movimentos de vendas são de vendas de lácteos somente, baseados nos resultados financeiros de 2013 e nas transações de fusões e aquisições completadas entre 1 de janeiro e 15 de junho de 2014; a fusão pendente entre Arla Foods e Walhorn não foi incluída. Fonte: Rabobank, 2014.

 

De acordo com o Rabobank, 15 das 20 maiores companhias estiveram nessa lista desde 1999 (em sua forma presente ou em formas anteriores), com a Müller sendo o último participante a entrar na lista, em 2011, e com Nestlé, Danone e Lactalis novamente no topo da lista, que contém os mesmos nomes dos 12 meses anteriores. No entanto, o Rabobank continua vendo algumas companhias tendo melhor desempenho que seus pares em termos de crescimento absoluto, desencadeando mudanças no ranking em alguns casos.

 

Em particular, as gigantes chinesas Yili e Mengniu viram suas vendas expandirem em 14% e 20%, respectivamente, em termos de moeda local apoiadas pelos ganhos em participação de mercado, aumentos de preços e atualização no mix de produtos e/ou aquisição. A Yili entrou nos Top 10 pela primeira vez: o primeiro player do mercado emergente a passar esse marco simbólico. A Mengniu subiu para o 14° lugar, impulsionada pelo crescimento orgânico e aquisição da Yashili.

 

O ano de 2013 foi desafiador para a maioria das principais companhias de lácteos do mundo. Os volumes de vendas na maioria dos mercados de lácteos dos países da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) ficaram estagnados. Os melhores crescimentos foram disponíveis em mercados emergentes, os quais também desaceleraram e são geralmente mais difíceis de acessar.

 

Além disso, o declínio nas moedas dos mercados emergentes reduziu o valor das vendas nesses mercados quando reportadas em moedas domésticas. Ironicamente, esse fator teve um impacto maior sobre essas companhias que estabeleceram pontos de apoio mais fortes em mercados como Brasil, Argentina, Rússia, África do Sul e Venezuela, a maioria devendo fornecer contribuições positivas para maiores crescimentos em médio prazo.

 

Ao mesmo tempo, um aumento nos preços das commodities gerou pressão substancial de custos, o que provocou crescimento nas receitas de vendas para muitos. Entretanto, o verdadeiro crescimento no valor orgânico foi difícil de encontrar e muitos lutaram para evitar pressão nas margens.

 

O posicionamento para a máxima efetividade na expansão do mercado chinês continua proeminente. Ao mesmo tempo, as companhias chinesas se tornaram mais ativas fora da China, com a Bright adquirindo a maioria acionária na israelense, Tnuva, no começo de 2014.

 

Com fusões e aquisições se tornando uma rota mais atrativa, muitos dos acordos realizados visaram aumentar a participação nos mercados emergentes. A Lactalis adquiriu a Tirumala, na Índia; a Danone adquiriu parte da Fan Milk International, na África; e a Arla Foods formou uma joint venture com a Mata Holdings, na Costa do Marfim. A Saputo também comprou a maioria acionária na companhia australiana, Warrnambool Cheese & Butter, melhorando sua capacidade de servir os mercados da Ásia para o norte, enquanto a Danone comprou a Gardians, na Nova Zelândia, para garantir uma fonte controlada de fórmulas lácteas infantis para a mesma região.

 

Porém, a consolidação doméstica e a reestruturação permaneceram o direcionador dominante da atividade, à medida que as companhias buscaram reduzir custos, aumentar o poder de negociação e encontrar crescimento em mercados mais lentos.

 

O crescimento através de aquisições é uma estratégia experimentada e verdadeira para a maioria das 20 maiores companhias de lácteos do mundo. Muitas delas basearam-se principalmente em transações corporativas para direcionar o crescimento nos últimos cinco anos ou mais.

 

Apesar do aumento nas transações, o setor de lácteos não viu acordos de bilhões de dólares nos últimos 12 meses e nenhuma companhia das Top 20 comprou ou se uniu com outra na lista desde 2011 (quando a Lactalis comprou a Parmalat). Isso contrasta com setores como o de proteína animal ou grãos e oleaginosas, onde a consolidação no topo continuou.

 

O declínio nos acordos bilionários ocorreu apesar do ambiente altamente atrativo para empréstimos, onde o financiamento tem sido abundantemente disponível a taxas historicamente baixas.

 

A consolidação da indústria no setor de lácteos está bem mais avançada do que estava há cinco anos. Os consolidadores simplesmente não estão a venda, sendo geralmente ou muito grandes para a maioria dos predadores, cooperativas (que raramente vendem) ou protegidos pelos interesses nacionais ou acionistas privados que, nos últimos anos, simplesmente não estavam interessados em vender.

 

Segundo o Rabobank, o crescimento de base acelerará na indústria global de lácteos nos próximos anos, à medida que as economias se acelerem, a atual onda de inflação de preços no varejo diminua e o melhor crescimento na oferta ajude a desbloquear o potencial inegável de muitos mercados. Porém, muitos mercados não retornarão às taxas rápidas de crescimento vistas antes da crise financeira global, devido aos mercados de lácteos maduros dos países da OCDE, à dificuldade de gerar taxas de crescimento econômico registrado no auge dos BRICs (Brasil, Rússia, Índia e China) e os desafios da rápida expansão da oferta de leite acessível.

 

A matéria é do MilkPoint, com informações do Rabobank.

 

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