QUANDO MENOS VALE MAIS

13/10/2017
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“Vaca em lactação é que paga as contas”. Esta frase deveria ser repetida todo santo dia pelo produtor de leite. É comum encontrar criações com muitos animais “improdutivos” – bezerras, novilhas e vacas secas – e poucas vacas em lactação. É prejuízo na certa. Colocar animais que não estejam produzindo à venda pode ser uma forma de reduzir esse descompasso e colocar dinheiro no bolso, desde que o mercado esteja comprador.

 

Técnicos especializados em sistemas intensivos de produção de leite recomendam que 65% do plantel sejam de vacas adultas e, destas, 83% devem estar em lactação. Para chegar a essa proporção e mantê-la, o produtor tem de perseguir algumas metas:

 

1- O manejo das novilhas tem de ser muito bem-feito para que aos 15 meses elas estejam no peso ideal para a cobertura - assim, o primeiro parto ocorrerá aos 24 meses de idade;

 

2- As vacas paridas devem estar prenhes 90 dias após o parto para que o intervalo entre partos seja de 12 meses e a produção de leite se estenda por dez meses, restando os dois meses que antecedem o parto ao período seco.

 

“Cumprir esses requisitos implica ter um bom manejo reprodutivo e nutricional, mas requer também vacas com genética apropriada para a produção de leite”, frisa o professor titular de Zootecnia da Esalq Flávio Portela Santos.

 

Optar pelo aprimoramento genético gradativo do rebanho é um bom caminho e, segundo os especialistas, pesa menos no bolso que adquirir animais adultos. Dependendo da disponibilidade para investimento, o produtor pode optar pelo uso de sêmen de touros melhoradores ou de tecnologias como transferência de embriões ou fecundação in vitro (FIV), além de uso de sêmen sexado para reduzir a probabilidade de nascimento de machos.

 

Eficiência reprodutiva

 

Para que uma novilha possa parir aos 24 meses, o manejo nutricional e sanitário é de extrema importância para não atrasar a condição corporal ideal para a primeira cruza. Dieta equilibrada, com fibra e energia, proteínas e minerais, proporciona bons resultados. “Aos 60 dias os animais têm de atingir o dobro do peso ao nascimento. Aos 13 meses, devem estar com 50% do peso adulto, para poder começar o trabalho reprodutivo com 14 para 15 meses de idade. Aos 24 meses, época do parto, o peso deve ser de 85% do animal adulto”, destaca o zootecnista e consultor Renato Nogueira.

 

No caso de novilhas da raça holandesa, isso significa um ganho de peso diário de 700/800 gramas. “Se o animal ficar um mês sem ganhar peso, terá de ganhar o dobro em um outro mês ou atrasar a idade do primeiro parto - ou, o que é pior, vai parir com peso menor”, afirma. Segundo ele, muitos produtores pecam por acreditar que a meta de peso termina com a inseminação. “O objetivo é o peso adequado ao parto, cuidando para que o ganho de peso na fase pré-púbere não exceda 850 gramas por dia em vacas holandesas”, ressalta. O valor do peso adulto é obtido com a média de peso das outras vacas adultas do rebanho com mais de três partos.

 

Data da Publicação: 13/10/2017.

Fonte: Portal DBO

http://www.portaldbo.com.br/Mundo-do-Leite/Noticias/Quando-menos-vale-mais/22580

 

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