MERCADO AJUSTA PREÇOS PAGOS AOS PRODUTORES DE LEITE

08/02/2017
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Diário do Comércio

 

Após quatro meses de consecutivas quedas nos preços pagos aos produtores de leite de Minas Gerais, em janeiro, referente à produção entregue em dezembro, os valores se estabilizaram e encerraram o período com pequena elevação de 0,43% na média líquida, frente ao preço praticado em dezembro. O litro de leite foi cotado, em média, a R$ 1,21 no Estado. A menor captação é a principal justificativa para o rompimento da série de quedas registrada nos preços ao longo dos últimos meses de 2016.

 

Para fevereiro, o setor acredita em manutenção dos valores, iniciando uma tendência de elevação, já que a demanda deverá crescer com o retorno das aulas. Os dados são do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada).

 

De acordo com analista de agronegócios da FAEMG, Wallisson Lara Fonseca, a estabilização do preço já em janeiro é reflexo dos custos altos de produção ao longo de 2016, o que desestimulou os pecuaristas a investirem na produção.

 

“Essa reação antecipada do mercado é reflexo de 2016, quando a produção de leite apresentou custo de produção elevado e desestimulou os investimentos no rebanho. A consequência foi a queda na captação, que no período ficou em torno de 0,6%. Para fevereiro é esperado mais um recuo no volume produzido, ficando em torno de 1,8% menor”, disse Fonseca.

 

O analista da Faemg explica que em curto e médio prazos, a tendência é de manutenção dos valores pagos atualmente e início do movimento de alta. O final das férias escolares tende a estimular o consumo, contribuindo para a sustentação dos preços.

 

“A redução da oferta em janeiro aliada à previsão de queda 1,8% em fevereiro e o retorno das aulas são fatos que favorecem a sustentação do leite no mercado interno. O cenário é favorável para o setor produtivo”.

 

Em Minas Gerais, o litro de leite foi negociado, na média líquida, a R$ 1,21, alta de 0,43%. O valor bruto, R$ 1,32, ficou 0,35% superior. Para fevereiro, a maioria dos entrevistados pelo Cepea (53,7%), que representam 42,1% do leite amostrado, acredita na estabilidade dos preços. Mas os outros 38,8% dos entrevistados, que representam 54,7% do volume amostrado de leite, acreditam em alta. Apenas 7,5%, que representam 3,1% do volume da amostra, esperam queda nos valores.

 

Custos

 

Outro fator positivo para o setor é a tendência de custos menores este ano. De acordo com Fonseca, enquanto em janeiro de 2016 foi verificada alta de 5,3% nos custos frente a dezembro de 2015, no primeiro mês de 2017 a variação positiva nos gastos foi de apenas 0,6% na comparação com dezembro de 2016.

 

Os protagonistas dos custos elevados em 2016, o milho e a soja, devem apresentar preços mais acessíveis em 2017, já que é esperada a colheita bem maior nesta safra tanto no Estado como no País. Os preços desses grãos estão menores que os praticados em igual período do ano passado. No caso do milho o valor da saca de 60 quilos caiu 5,7%, com o volume negociado a R$ 35,23. Na soja a retração foi de 8,1%, com a saca cotada a R$ 68,17.

 

“O milho e a soja, principais componentes da ração, respondem pela maior fatia dos custos da pecuária de leite e este ano estão com preços menores. Vale lembrar que outro importante componente dos custos é a mão de obra que ficou mais cara com o reajuste do salário mínimo, mas, com a boa administração dos negócios, este custo pode ser diluído de forma que não prejudique a rentabilidade”.

 

Fonseca ressaltou a importância da gestão e da capacitação dos produtores para que eles consigam planejar as compras, investir na maior produtividade do rebanho e aproveitar o momento de alta do mercado do leite.

 

“Acredito que o produtor que tiver boa gestão da propriedade, fizer o controle efetivo dos custos e aproveitar o momento para investir e comprar de forma antecipada os insumos tem maior chance de manter a rentabilidade da produção com ganho em produtividade. A FAEMG possui várias opções para a capacitação dos produtores, como o programa Balde Cheio e os diversos cursos oferecidos pelo SENAR MINAS”.

 

Cotação e câmbio favorecem embarques

 

Além da tendência de recuperação dos preços no mercado interno, a alta na cotação do leite em pó no exterior pode contribuir para que Minas Gerais retome as exportações do produto e mantenha a oferta ajustada à demanda. Em janeiro, de acordo com o analista de agronegócios da Faemg, Wallisson Lara Fonseca, foi verificado incremento de 68,1% nos preços do leite em pó, na comparação com igual período do ano passado, com a tonelada negociada a US$ 3,2 mil.

 

“Com os preços atuais do mercado externo e a taxa cambial em torno de R$ 3,20, as exportações são favorecidas. Este mesmo cenário torna a importação de leite inviável, o que também é positivo para a cadeia produtiva”.

 

A expectativa de consumo bem ajustado à demanda também foi sentida no mercado spot (negociação entre as empresas). Nas últimas quinzenas foi verificada alta de 4% nos preços do leite, que foi negociado a R$ 1,36.

 

“O preço praticado no mercado spot mostra a tendência de valorização, que deve chegar aos produtores”.

 

Consumidor

 

Mesmo com a expectativa de alta, os preços do leite para os consumidores não devem atingir patamares tão elevados como os registrados em 2016. Fonseca explica que as empresas já começaram a recompor os estoques.

 

“Em 2016, o preço do leite para o consumidor chegou a um patamar nunca atingido, o que em período de crise econômica e desemprego em alta, provocou queda na demanda pelos lácteos. A retração não é positiva para nenhum segmento da cadeia produtiva. Por isso, as empresas do varejo estão investindo na recomposição dos estoques de leite longa vida, para que, no momento da entressafra, não tenha desequilíbrio como ocorreu em 2016”.

 

Data da Publicação: 08/02/2017.

Fonte: Laticínio.net

http://www.laticinio.net/noticias/completa/18320_-mercado-ajusta-precos-pagos-aos-produtores-de-leite

 

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