Jovens discutem os conflitos familiares na sucessão da propriedade leiteira

15/09/2015
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A questão tem se tornado crítica para o setor produtivo e agora é tema do 2º Encontro Pan-americano de Jovens Produtores de Leite, que será realizado nesta semana, de 15 a 17 de setembro, em Juiz de Fora – MG, pela Fepale (Federación Panamericana de Lechería) em parceria com OCB/Sescoop e Embrapa Gado de Leite. "Para ser economicamente viável, a produção leiteira requer dedicação intensiva. Além disso, a atividade está sujeita aos riscos climáticos, mercadológicos e biológicos. Muitos jovens preferem ter um emprego fixo na cidade, com salário certo, férias definidas e maior variedade de lazer", explica o analista Fábio Diniz, da Embrapa Gado de Leite, que conduziu pesquisa sobre o tema junto a filhos de produtores. Os estudos, porém, identificaram que a percepção de qualidade de vida é superior no campo.

Fábio Diniz enumera as principais questões que afastam os jovens das propriedades rurais. Historicamente, as mulheres não são vistas como potenciais sucessores. Saem da propriedade para estudar e dificilmente voltam para morar ou trabalhar na zona rural. Já os homens se desinteressam devido à penosidade do trabalho e pela dificuldade em encontrar uma parceira disposta a constituir família ali. O analista também cita a baixa qualidade das estradas, que dificultam a mobilidade entre a zona rural e a urbana e, em alguns casos, a falta de acesso a serviços de internet, que inviabiliza a adoção de sistemas informatizados e a comunicação à distância.

Por parte do sucedido, o maior entrave é saber lidar com a perda de poder. Fábio Diniz afirma: "A partir do momento em que o pai passa o controle da propriedade para o filho, sente que deixa de ser referência em sua comunidade. Para muitos, quando a sucessão remete à perda da capacidade ou condição de administrar sua propriedade. Ou seja, remete a uma morte social".

Para a sucessão ser menos traumática para ambos os lados, Diniz faz recomendações. O diálogo entre pais e filhos é crucial. "É importante ter esse diálogo desde cedo. O filho deve reconhecer o trabalho do pai e toda a vida que ele teve enquanto responsável pela propriedade. Os pais, por sua vez, devem reconhecer os planos do filho para a propriedade e compreender que a renovação é benéfica", afirma.
Ir delegando as responsabilidades gradualmente é outra forma dos sucedidos deixarem o controle das propriedades de forma natural. Para isso, é necessário haver um planejamento de longo prazo do processo de sucessão, feito com auxílio de um extensionista rural ou pessoa especializada, que impacta na redução de conflitos familiares.

O 2º Encontro Pan-americano de Jovens Produtores de Leite irá reunir mais de 200 participantes. Estão inscritos jovens de oito países: Argentina, Brasil, Costa Rica, Equador, Guatemala, México, Panamá e Uruguai. O objetivo é promover a troca de conhecimentos e experiências. Durante os 3 dias de evento, serão realizadas palestras e oficinas, atividades recreativas e de integração, além de visitas técnicas, conduzidos por especialistas do Brasil, da Costa Rica, do México e do Paraguai.

Serviço:
2º Encontro Pan-americano de Jovens Produtores de Leite
De 15 a 17 de setembro
Em Juiz de Fora – MG
Organização: Fepale, OCB/Sescoop e Embrapa Gado de Leite

As informações são da Embrapa Gado de Leite. 
Data da Publicação: 15/09/2015
Fonte: MilkPoint
http://www.milkpoint.com.br/cadeia-do-leite/giro-lacteo/jovens-discutem-os-conflitos-familiares-na-sucessao-da-propriedade-leiteira-96918n.aspx

 

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