HÁ MAIS LEITE NO MUNDO DO QUE O MERCADO PRECISA ATUALMENTE

17/06/2015
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O mundo ainda está produzindo mais leite do que o mercado precisa atualmente, afirma o Rabobank em seu relatório trimestral sobre o setor de lácteos. E, para o banco holandês, esse desequilíbrio não deve ser substancialmente corrigido no segundo semestre deste ano, o que significa preços ainda baixos no mercado internacional.

 

Segundo as previsões da instituição, o crescimento da produção deve se acelerar em importantes regiões exportadoras no segundo semestre (alta de 1,6% na comparação com igual intervalo de 2014), uma vez que a produção na União Europeia está sendo impulsionada por investimentos programados em decorrência do término do regime de cota de produção, no fim de março passado, compensando a desaceleração na oferta na maior parte das regiões com excedente de matéria-­prima.

 

O relatório do banco mostra que depois de uma pequena contração no primeiro semestre, o excedente exportável dos sete maiores fornecedores mundiais deve crescer novamente no segundo semestre, com avanço estimado de 1,6% sobre igual período de 2014.

 

Mas, segundo o Rabobank, será difícil colocar mesmo esse relativamente modesto aumento no excedente no mercado internacional. Isso porque as importações de China e Rússia devem continuar fracas e compradores de outras regiões com déficit de oferta podem reduzir o ritmo de suas compras, já que encheram seus estoques com produto barato. “Com estoques já elevados nos importadores, vemos agora um considerável risco de acumulação de estoques no lado da oferta (países exportadores) no segundo semestre”, diz o relatório.

 

Para os analistas do Rabobank, os preços internacionais do leite devem continuar “extremamente baixos” enquanto o mercado tenta “limpar” a oferta e ou colocar produto em estoques, o que levaria à intervenção pela União Europeia no caso do leite desnatado.

 

Na UE, de acordo com o relatório, o crescimento da produção de leite deve superar o aumento marginal da demanda. Assim, o excedente exportável deve subir 7% no segundo semestre deste ano e 12% no primeiro semestre de 2016, na comparação anual.

 

A expectativa, diz o banco, é que a recuperação dos preços do leite comece no primeiro semestre do ano que vem. Na avaliação da instituição, o mercado para leite “novo “ (isto é, excluindo estoques) vai se aproximar do equilíbrio no começo de 2016. “Enquanto a produção de leite continuará a crescer, o excedente gerado irá provavelmente ser consumido pela melhora na demanda, uma vez que os consumidores respondem ao aumento nas receitas e aos preços reduzidos, e as compras da China finalmente crescem acima dos níveis do ano anterior de novo”.

 

O relatório observa que o impacto disso nos preços vai ser inicialmente mitigado pela necessidade de desovar os estoques acumulados, mas a expectativa é de um período de alta mais forte de preços no segundo trimestre de 2016 quando os estoques voltarem a patamares mais normais.

 

Gráfico 1 – Preços de lácteos do leilão GDT

 

No documento, o Rabobank destaca os fatores que podem influenciar de forma altista ou baixista o mercado de leite. Entre as influências altistas estão questões climáticas. Para o banco, se o padrão climático do El Niño continuar nos próximos meses há um risco crescente (embora não certo) de que posso levar a adversidades climáticas em regiões produtoras de leite (por exemplo, seca no sudeste da Austrália ou excesso de chuvas no norte da Argentina), afetando a oferta.

 

Além disso, importações chinesas podem ficar acima no segundo semestre se os estoques locais forem menores do que se acredita ou se a oferta crescer menos do que os analistas acreditam.

 

No lado das influências baixistas, o banco aponta o fim do regime de cota de produção de leite na UE combinado com a depreciação do euro nos últimos nove meses. Esses dois fatores poderiam levar a um crescimento maior do que o previsto do excedente na UE — a projeção atual é de mais 2,3 bilhões de litros de leite nos próximos 12 meses. Além disso, há algum risco de importadores — não incluídos aqui Rússia e China — reduzirem as compras no segundo semestre (na comparação com igual intervalo de 2014) por terem acumulado estoques significativos nos últimos 12 meses.

 

Nas projeções do Rabobank, considerando dados do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), os preços do leite em pó integral devem alcançar US$ 2.500 por tonelada no quarto trimestre de deste ano e US$ 2.900 no primeiro trimestre de 2016. No segundo trimestre deste ano, ficou em US$ 2.490, bem abaixo dos US$ 4.150 do mesmo intervalo de 2014.

 

Data da Publicação: 17/06/15

Fonte: Jornal Valor Econômico.

 

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