E O MERCADO VIROU...

16/02/2018
 |   

Depois de um ano de preços bastante baixos para toda a cadeia produtiva, o mercado lácteo brasileiro começa a sinalizar uma recuperação. Alguns fatores têm influenciado de forma mais importante esta movimentação para um novo cenário de mercado e é importante explorar um pouco mais cada um deles:

 

Produção

 

A forte queda de preços a partir de meados de 2017 e o quase concomitante aumento dos preços do milho e da soja trouxeram impacto negativo na rentabilidade do produtor de leite e consequente desestimulo a produção. O indicador RMCR (Receita Menos Custo da Ração), que tem grande correlação com a rentabilidade do produtor de leite, começa 2018 quase 20% abaixo do indicador de janeiro de 2017 (observe o gráfico 1).

 

Gráfico 1. Evolução do RMCR (Receita Menos Custo da Ração) – Valores deflacionados. Fonte: elaborado pelo MilkPoint Mercado, com base em dados do Cepea e do DERAL/SEAB/PR. Como consequência desta queda na rentabilidade da atividade leiteira, a produção sofre uma considerável desaceleração.

 

mercado lácteo em 2018

 

Como mostram os dados do MilkPoint Radar no gráfico 2, os volumes, que vinham evoluindo acima da média histórica aferida pelo IBGE, passaram a ficar abaixo dela, confirmando uma tendência de desestimulo a produção.

 

Gráfico 2. Variação mensal da produção – MilkPoint Radar e IBGE (*) . Fonte: MilkPoint Radar e IBGE (*) – IBGE média histórica da variação entre os meses, para o período 1997 a 2016.

 

mercado lácteo em 2018

 

Assim, segundo a informação apurada pelo MilkPoint Radar, em novembro a produção dos participantes do MilkPoint Radar caiu 0,6% em relação a outubro quando, com base na variação histórica do IBGE, subiria 5,7%. Em dezembro, também segundo os dados do MilkPoint Radar, a queda na produção foi de 3,8% em relação a novembro, quando se esperaria uma elevação de 2,3% em relação aos volumes de novembro.

 

Esta informação é corroborada pelas informações de algumas empresas do mercado, que indicam que a produção aferida em dezembro/2017 foi de 3% a 4% menor do que os volumes produzidos em dezembro/2016 (considerando os mesmos produtores). Assim sendo, depois de passar boa parte do ano de 2017 em elevação, o ritmo de crescimento da produção efetivamente parece cair (conforme, aliás, previsões aqui do MilkPoint Mercado já indicavam).

 

Importações

 

O mercado internacional segue volátil e com preços por volta de US$ 3.200/ton (cotação para o leite em pó integral), depois de mais um aumento nas cotações do leilão GDT. No leilão do dia 06/02/2018, a elevação dos preços médios foi de 5,9% e de 7,6% para o leite em pó integral, com um cenário de problemas climáticos e consequente redução na produção da Nova Zelândia. De qualquer forma, no curtíssimo prazo, a expectativa é de que as importações de lácteos sejam menos atrativas, principalmente em função dos baixos preços no mercado local.

 

Preços atacado/demanda

 

O que se tem observado no mercado de venda de derivados da indústria aos canais varejistas é uma relativa estabilidade para os leites em pó e queijos e o início de uma reação para os preços do leite UHT (subiram quase 20 centavos/litro nas últimas três semanas). Falta de produto (em função da redução dos volumes de produção e também das margens negativas de venda) e recuperação crescente da demanda fazem o UHT “engatar” um ritmo de subida, puxando, inicialmente, o leite spot e, possivelmente, em um segundo momento (a partir do leite fornecido em janeiro), o leite ao produtor.

 

Assim, a conclusão é de que o pior momento de mercado já passou e a perspectiva é de subida de preços no atacado e ao produtor, com recuperação dos volumes de consumo. Bom sinal.

 

Data da Publicação: 16/02/2018.

Fonte: MilkPoint

https://www.milkpoint.com.br/noticias-e-mercado/panorama-mercado/e-o-mercado-virou-206831/

 

Novo comentário:

Por favor, digite a sequência de caracteres da imagem acima para validar o envio do formulário.

Voltar