A importância da produção de leite e carne

01/04/2015
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Minas Gerais tem o segundo maior rebanho bovino do país, com 23,63 milhões de cabeças, segundo o Instituto Mineiro de Agropecuária. Lidera historicamente a produção de leite e derivados, sendo que ofertou 6,9 bilhões de litros em 2005 e 9 bilhões em 2013, mais 30,4%.

 

A produção de carne bovina passou de 946 mil toneladas em 2005 para 955 mil toneladas em 2013, um discreto crescimento, segundo o Anualpec. Além disso, dados da Secretaria da Agricultura de Minas, comparando-se o ano de 2005 com o de 2013, revelam que as exportações de carne bovina aumentaram de 94,3 mil toneladas para 370,3 mil toneladas, um avanço de 292,5%.

 

Outrossim, o rebanho mineiro de 23,63 milhões de cabeças ocupa uma área de pastagens com 25 milhões de hectares, dos quais estimativamente 15 milhões estão degradados a exigir adoção de novas tecnologias, entre as quais as recomendadas pelo Programa Agricultura de Baixa Emissão de Carbono, mais conhecido como ABC. Segundo o IMA, existem 360 mil estabelecimentos rurais com rebanho bovino no Estado.

 

Por outro lado, o confinamento bovino estadual, que atende o mercado de carnes, no período da entressafra mineira, disponibilizou para abate 156 mil cabeças em 2005 e 300 mil em 2014, o que significa um aumento de oferta de 92,3% e desempenho que reforça o abastecimento, estabiliza preços e oferece também carne de excelente qualidade e valor nutricional. Entretanto, com as tendências de aumento do consumo de proteínas nobres, ressaltando-se a carne bovina e somando-se as perspectivas de exportações, emerge uma questão de fundo muito importante e estratégica: a criação de bezerros de corte.

 

Noutro cenário, igualmente importante, são 10,5 milhões de vacas que produzem 4,8 milhões de crias/ano sendo, em média, metade fêmeas e metade machos. Entretanto, valorizando-se a atividade de cria, como parte indissociável na cadeia produtiva da carne bovina, a oferta de bezerros(as) poderia chegar aos 8 ou 9 milhões de cabeças anualmente, crescimento estimado entre 70% e 90%, com o mesmo rebanho de 10,5 milhões de vacas.

 

O bezerro é que vai virar boi, carne, couro, entre outros, e a bezerra vai gerar a cria, dar leite, num ciclo biológico próprio da natureza. Até a vaca de leite descartada vira carne. Nesse cenário, há que ter adoção de inovações tecnológicas, estímulos de mercado, aumentos da produtividade média e ganhos de qualidade desses alimentos nutricionais indispensáveis à dieta humana e à cadeia produtiva da carne bovina.

 

Dentre muitos apoios tecnológicos exigidos, pode-se ressaltar o Programa de Melhoria da Qualidade Genética do Rebanho Bovino de Minas Gerais, conhecido como Pró-Genética, que é a introdução sistemática de reprodutores/touros, geneticamente melhorados, para melhorar o desempenho dos rebanhos comerciais e integrando, além do criador, indispensável, a ABCZ, Girolando, Emater-MG, Epamig e o IMA.

 

A disseminação desses reprodutores melhorados se faz através das Feiras e Leilões de Touros. Por que esse programa é estratégico? Porque o rebanho de 10,5 milhões de vacas é acasalado com 360 mil touros e um touro melhorado cruza com 50 vacas e gera 40/45 crias por ano, que influenciam diretamente na qualidade do rebanho bovino comercial.

 

Embora seja apenas uma colocação didática, o bife não voa do campo para o prato do consumidor, pois há que se conciliar, repetindo-se, tecnologias, adoção, gestão, recursos naturais, rastreabilidade, retornos econômicos para os criadores e prospecções sobre cenários futuros, que são perspectivas e não cálculos matemáticos.

 

A bovinocultura de leite e de corte, nas paisagens de Minas, ainda tem muito caminho pela frente, no vigor de um século em que a informação circula com espantosa velocidade e com mercados cada vez mais exigentes com a qualidade dos alimentos. A tomada de decisão exige novos conhecimentos e sendo também uma questão de escolhas, ou seja, a ciência/tecnologia a serviço do agropecuarista e das cadeias produtivas do agronegócio. ?

 

importante reafirmar a vocação de Minas Gerais para a pecuária de leite e corte, binômio singular no Brasil. A atividade precisa ser valorizada, difundida e internalizada por todos aqueles que atuam nas diferentes regiões mineiras e num relacionamento recorrente com as instituições de pesquisa, bem como com a assistência técnica e extensão rural.

 

Fonte: Diário do Comércio

 

Publicada em segunda-feira, 30 de março de 2015

 

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